Vicentina, 19 de Junho de 2019
2019-06-08 - 08:04:00

Mudanças no Código de Trânsito devem aumentar insegurança, diz especialista

O especialista vê com preocupação as medidas proposta pelo presidente Jair Bolsonaro

Dourados News

O especialista em Geografia Humana, Adauto de Oliveira Souza, professor na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), vê com preocupação as medidas proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que alteram as regras do Código de Trânsito Brasileiro.

As principais alterações são: extensão do prazo de validade para renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), ampliação do quadro de pontos que podem provocar a suspensão da permissão para dirigir e a suspensão da multa para quem não transportar crianças de até 7 anos e meio na cadeirinha de segurança. 

Para Adauto, tais medidas devem contribuir para aumentar a sensação de insegurança no trânsito. 

"São medidas que caminham no sentido de aumentar a insegurança no trânsito com reflexos altamente negativos e danosos para a sociedade brasileira. Reflexos, certamente na elevação dos indicadores de morbidade e mortalidade no trânsito. Portanto, medidas perigosas e inoportunas", avalia o especialista. 

Adauto pontua que a proposta de extensão do prazo para a renovação da carteira possa ser positiva, desde que referenciada na faixa etária do condutor. "Por exemplo, para um jovem motorista acredito que o intervalo para renovação de sua carteira possa ser ampliado, obedecendo-se alguns preceitos", disse. 

A proposta do presidente prevê sim uma consideração sobre a idade. O texto afirma que o exame de aptidão física e mental será renovável a cada 10 anos. No caso dos idosos, acima de 65 anos, a renovação será a cada 5 anos. Atualmente a lei brasileira exige renovação da CNH em 5 anos e para os idosos a cada três anos. 

Nas ruas, a população vê com preocupação alguns pontos da proposta. O Dourados News foi ao Centro de Dourados para ouvir a população. Entre os homens, as medidas pareceram mais agradáveis. As mulheres se mostram temerosas, principalmente com a dispensa de punição diante da ausência de cadeirinha.

O casal Vivian Barbosa Freitas e Luiz Fernando de Souza, ambos com 26 anos e pais de um menino de três meses, afirmaram não aprovar o ponto que retira a penalização por multa aos motoristas flagrados com criança fora da cadeirinha. Para eles, isso colocará em risco a integridade dos pequenos e pode responsabilizar os filhos pela imprudência dos pais.

"O brasileiro é complicado, só vai se for na pressão. Se deixar de cobrar isso muita gente não vai nem ligar pro uso da cadeirinha. Isso aí é ruim, porque responsabiliza a criança pelo erro do pai ou da mãe no volante. Se não pegar no pé, o povo não valoriza", pontuou Luiz e Vivian. 

Luiz se disse contrário também a outro ponto do projeto, que prevê a eliminação do exame toxicológico para motoristas da categoria C, D e E, como caminhoneiros, condutores de van e ônibus. 

Atualmente a regra determina que a cada dois anos e seis meses esses habilitados façam a avaliação para verificar a ausência de substância psicoativas que possam, comprovadamente, comprometer a direção ao volante. Idosos devem realizar o exame de 1 a 6 meses. O objetivo é evitar o uso de rebites, substâncias ilegais que prometem tirar o sono e o cansaço dos motoristas após exaustivas horas na estrada.

O empresário Walter Kunio Kamimura, 74, se mostrou favorável às mudanças e ressaltou a necessidade das pessoas buscarem pesquisar a fundo a proposta para evitar as críticas indevidas. Ele acredita que seja necessário uma "transformação de cultura" e viu no projeto de mudança do CTB esse propósito. 

"O projeto é passivo de aprimoramento e está em análise. Toda mudança é benéfica e precisa ser estudada a fundo para não gerar críticas desnecessárias. Eu sou favorável e acredito que seja uma maneira de transformar a cultura do brasileiro no trânsito", disse.

O aposentado Severino Manoel da Silva, 60 anos, morador no Jockey Clube, gostou a ideia de não precisar renovar a carteira a cada três anos. Ele acredita que essa regra serve apenas para gerar arrecadação ao governo e agora, com a extensão do prazo, o brasileiro poderá se livrar de um "gasto desnecessário". 

Porém, afirmou não aprovar o método de acúmulo de pontos por infrações, dobrando de 20 para 40 a cada 12 meses resultando na suspensão do direito de dirigir. 

"Rapaz, isso aí vai é favorecer o infrator. Sou contra. Os cara (sic) tem que andar é direitinho e não acumular. Essa história aí não vai ser bom não", disse destacando que o trânsito em Dourados é "louco" e marcado por muita falta de respeito. 

O casal Arnaldo José de Oliveira, 56, e Helena Gomes, 46, moradores no Jardim Flórida II, não gostaram nenhum pouco da suspensão da multa pela cadeirinha. Eles têm um neto de 3 anos e afirmam que sempre valorizaram a segurança na hora de passear. 

"Tem muito pai irresponsável, não dá para culpar as crianças por isso", disse Arnaldo, que é favorável à ampliação do número de pontos para suspensão da CNH. 

O especialista entrevistado pelo Dourados News garante que mesmo com a norma vigente, ainda hoje, um percentual expressivo de condutores ainda deixa de usar a cadeirinha no transporte de crianças. "Portanto, uma proposta como essa permite nos inferir que esses infratores serão beneficiados", considera.

"Enfim, as questões relativas às normas do trânsito pela sua dinâmica impõe aos governos e a sociedade constante acompanhamento, discussão e atualizações. Nesse sentido, concordamos, que a legislação deve ser aperfeiçoada e melhorada no sentido de garantir mais segurança.  E mais, com rigorosa fiscalização que consolide a importância do uso desses equipamentos e até mesmo que sejam feitas mudanças estruturais, como a redução da velocidade máxima permitida nas vias, além das melhorias relativas ao processo de  mobilidade urbana e ao transporte coletivo. Essa situação merece/exige o nosso posicionamento contrário, porque indubitavelmente irá produzir um aumento de hospitalizações, mortes e sequelas em nossas crianças e adolescentes. Nesse contexto, além das perdas familiares com elevados custos econômicos para um país em crise", concluiu Adauto.

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